10.9.06

como o vento

Posso ouvir o vento passar, assistir à onda bater, mas o estrago que faza vida é curta pra ver... Eu pensei.. Que quando eu morrer vou acordar para o tempo e para o tempo parar: um século, um mês, três vidas e mais um passo pra trás? Por que será?... Vou pensar. Como pode alguém sonhar o que é impossível saber? Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer e isso, eu vi, o vento leva! Não sei mas sinto que é como sonhar que o esforço pra lembrar é a vontade de esquecer... E isso por que? Diz mais! Uh... Se a gente já não sabe mais rir um do outro meu bem então o que resta é chorar e talvez, se tem que durar, vem renascido o amor bento de lágrimas. Um século, três, se as vidas atrás são parte de nós. E como será? O vento vai dizer lento o que virá, e se chover demais, a gente vai saber, claro de um trovão, se alguém depois sorrir em paz. Só de encontrar... Ah!!!

Só porque tocou algumas vezes no rádio...

9.9.06

presentemente



Lindo!

Difícil era acreditar que em poucos minutos estaria enxergando Ele a pouco metros de mim. Não seria original dizer que o corpo estava arrepiado, que batia um frio na barriga e que, naquela noite, mais nada importaria. Não seria original se emociar com algumas das mais belas canções por Ele cantadas. Nem tampouco seria original dizer que, por mim, aquele noite se estenderia por toda a eternidade. Nada é original quando deixamos sentimentos se expressarem - e esse é o encanto de simplesmente sentir, não é verdade?

O clima era propício para os casais apaixonados trocarem declarações de amor entre uma música e outra. Mas também havia espaço para aqueles que já não sabem o que faz o coração tremer. E claro, também estavam presentes os que comemoravam anos de casados, os recém-casados com filhinhos pequenos, amigos, amantes e namorados. Para todos - como sempre.

De tão simples, existia algo de aconchegante no ar. Abraços não eram necessários - mas, de fato, eles trouxeram um toque especial. Em alguns momentos, nada existia além daquela voz que nos acariciava como a mão que faz um cafuné tarde da noite. Os olhos brilhavam e davam mais luz ao cenário projetado por Helio Eichbauer. Também aqui não seria original dizer perfeito! - mas é fato que ainda não encontraram melhores expressões para defini-lo e, talvez por isso, tudo que se escreva a respeito Dele seja tão clichê.

Não me arrisco a sair do óbvio, até porque essa tentativa seria em vão. Serei, admito, mais uma entre muitos que elogiarão e que abrirão um enorme sorriso assim ao relatar a noite do dia 08.09 (aqui será necessário abrir um parênteses para dizer que, como também era de se esperar, nem todos abrirão um sorriso e elogiarão a noite que passaram com Ele). Mas, como já é sabido por todos, para certo momentos, não há motivo para nos preocuparmos com a originalidade.

Durante o show encontrei a minha explicação para essa admiração. São as letras. Nelas as mulheres não são derrotadas pelos sentimentos e pelos amores mal vividos. Talvez seja por isso que tantas de nós o desejamos (não no sentido presencial da palavra, pelo menos para algumas de nós). Em suas letras, nos sentimos fortes como quase nunca conseguimos ser. Em suas letras, nos inspiramos em acreditar que somos muito mais do que conseguimos ser. Em suas letras sentimos um carinho que por vezes nos faz falta. Em suas letras estão os nossos maiores desejos. E só. São as letras. Elas também nos dão saudade de um tempo que não volta mais, nos dão vontade de ter o coração cheio de alegria, nos deixam, por algumas horas, distante de um mundo que já não queremos como o nosso.

Somos refugiados procurando colo e explicações para essas coisas do nosso mundo. Somos espectadores emocionados pedindo bis. Não queremos sair do lado encantado. A realidade é séria demais. Queremos mais e sempre, por isso não nos deixamos acreditar que, depois de voltar duas vezes ao palco, o show, de fato, chegou ao fim. Continuamos sentados, outros em pé, gritando o seu nome por mais alguns minutos. Por instantes, a alegria, que nos acompanhou por duas horas, é substituída por algo que chega bem perto da melancolia. Passa, é claro - mas aí vem a vontade de voltar na noite seguinte para ouvir aqueles Outros Sonhos embalados por uma melodia gostosa e baixinha.

Podemos voltar também para ver todo mundo em pé - ou ajoelhados em cima da cadeira, como eu estava - acompanhando as músicas do bis: Sem Compromisso, Deixe a Menina e Quem Te Viu, Quem Te Vê. Podemos também voltar pela companhia, pela lua, pela vontade de deixar a emoção transparecer. Podemos voltar porque mais uma noite como aquela, presentemente, represente muito para mim.

7.9.06

daqui a pouco

Olhos nos olhos.

5.9.06

Nem tão óbvio assim

De certa forma, até entendo os realistas. Aqueles que nada enxergam além desse mundo real. Sei que é muito difícil acreditar num outro mundo, numa outra forma de governo, numa nova política econômica, em políticos honestos... sim, sei como esses pensamentos parecem - e, em alguns casos, são - utópicos. Já faz um tempo que perdi muito daquele idealismo comum à nossa fase da adolescência. Mas, mesmo assim, ficaram resquícios de uma época em que eu acreditava ser possível mudar as coisas que estão no mundo. Ontem, porém, percebi que ainda existem pessoas que, apesar de - teoricamente - viver e conviverem com o que chamam de realidade brasileira, não dão o braço a torcer quando o assunto em pauta é um projeto que beneficie a sociedade - mesmo que para isso, sejam rotuladas de radicais. E, para ser bem clara, quer saber? A vida já é complicada demais para vivermos agarrados ao que é extremamente real...

Todas essas palavras - que talvez não façam muito sentido -, na verdade, são só um pequeno nariz de cera para falar da sabatina da Folha que aconteceu ontem, dia 04.09.

Heloísa Helena foi a primeira convidada do ciclo de sabatinas com os presidenciáveis promovidas pelo jornal Folha de S.Paulo, no Teatro Folha, no Shopping Higienópolis, em São Paulo. Para entrevistá-la, estavam presentes Valdo Cruz (diretor-executivo da Sucursal da Folha de Brasília), Clóvis Rossi e Fernando Rodrigues (colunistas da Folha) e Renata Lo Prete (editora do "Painel").

Como de praxe, a primeira hora é reservada aos sabatinadores. Das 15h às 16h, a candidata respondeu perguntas sobre quais serão as primeiras ações como presidente da República, a política econômica que será desenvolvida em seu governo, a relação que terá com o Congresso e, claro, sobre a expulsão do Partido dos Trabalhadores em 2003.

Heloísa, como já foi dito por algumas pessoas desde que a campanha eleitoral de 2006 começou, tem dado conta de tornar o debate político mais proveitoso. Mesmo que fale sozinha - já que seus opositores não têm gás o suficiente para tornar a discussão de algumas questões mais enfática -, a senadora não se deixa abater e ressalta que acredita em uma outra forma de resolver os problemas do Brasil.

Para alguns, o idealismo de Heloísa Helena soa como sonhador. E, em diversos momentos durante a sabatina, os entrevistadores do jornal deixaram evidente que estavam irritados com a insistência da candidata do PSOL em acreditar naquilo que diz - ou seja, numa outra forma de representar o Estado nacional.

Perguntei-me então: será que, de fato, nos acostumamos com o que está estabelecido? Ou, na verdade, as coisas no mundo são tão imutáveis a ponto de crucificarmos pensamentos e atitudes que se direcionem para um caminho contrário ao que é percorrido? Sinceramente, não sei a resposta. (quer dizer, pode ser que eu até tenha uma idéia do que responder, mas ainda fico com essas
perguntas incomodando o pensamento).

Essas perguntas surgiram num momento específico da sabatina: quando a editora do "Painel" de a Folha de S.Paulo, Renata Lo Prete, questionou a senadora sobre a cláusula de barreira que restringirá a representação no Congresso dos partidos que não conseguirem "alcançar 5% dos votos nacionais, excetuados os brancos e nulos, distribuídos por 9 Estados, com um mínimo de 2% em cada um deles" ( O Estado de S.Paulo, 4/09/2006 - Cláusula de barreira contra partido nanico deve criar deputado-zumbi ). A resposta de Heloísa provou que, diferentemente do que muitos pensam, ela não entrou na disputa para perder. Afirmou que, apesar de saber o quanto será difícil alcançar os números estipulados pela cláusula, o PSOL está trabalhando para que a meta seja alçanda. Do contrário, por mais óbvio que possa parecer, não faria sentido encarrar as eleições.

Espanto? Por quê? Talvez porque já tenhamos nos acostumados com pessoas (e/ou partidos) que entram em disputas eleitorais sem, ao menos, terem se preparado para isso. E não restrinjo a questão ao fato de muitos dos partidos - ou quase todos - ingressarem em campanhas sem um plano de governo. Não! O que abordo está além: para minha decepção - não tão grande como talvez deveria ser - ainda existem pessoas que entram em eleições para perder. E o pior: isso, de fato, é o planejado. Surpresa seria alcançar uma grande quantidade de votos. Aqui está uma possível explicação para esse espanto todo em relação à candidatura e campanha de Heloísa Helena. Mesmo que nas pesquisas não passe dos 10 ou 11%, a campanha só terminará, de fato, para ela, quando todas as urnas forem apuradas. Óbvio. No Brasil, nem tão óbvio assim.