9.11.06

rosas de chocolate

Pessoas queridas e rosas de chocolate. Lindos!

7.11.06

one art

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

Even losing you (the joking voice, a gesture I love)

I shan't have lied. It's evident the art of losing's
not too hard to master though it may look like
(Write it!) like disaster.

(Elizabeth Bishop)


2.11.06

* encontros e despedidas *














A chuva não estava nos planos, mas deixou a tarde com mais cara de São Paulo, cinema e livros. Por isso, todos tiveram a mesma idéia - e aqui é preciso abrir um parêntese (nunca estive numa Reserva Cultural tão cheia). Cheguei às 15h. A primeira sessão começaria em cinco minutos e, mesmo com a enorme fila, consegui o meu lugar na sala 1. O filme era uma das estréias do feriado: O ano em que Meus Pais Saíram de Férias, do diretor Cao Hamburguer.

1970. México, Copa do Mundo. No Brasil, ditadura militar. Mas, diferentemente do que possa parecer, a produção brasileira não é mais uma sobre futebol e/ou repressão. Vai além. O encantamento não está nos passes de Tostão para Pelé, e a dor não é escancarada nas salas de tortura do Doi-Codi. Os protagonistas não são os craques do futebol, nem os estudantes e militares. Mauro e os botões do futebol conduzem a história da comunidade paulistana do Bom Retiro. Mineiro de Belo Horizonte que vem para São Paulo, o garoto de 12 anos, olhos verdes apaixonados por dribles, não deixa a atenção fugir de cada um de seus movimentos - como se algum pozinho, o de pirlimpimpim talvez, tivesse se espalhado pelo ar nos impedindo de pensar em outra coisa que não esteja dentro daquela história. O pequeno garoto - ator de primeira viagem, como foi dito por aí - carrega a alma do filme. Nele é possível reconhecer todo sofrimento e alegria de um ano contraditório para o país verde-amarelo. Um ano em que desespero e esperança caminharam juntos - para Mauro, com mais intensidade.

Ele não foi escolhido por acaso, acredito. As crianças têm o incrível dom - que com o passar dos anos é deixado de lado - de serem sinceras. Não só nas falas, mas nos gestos e olhares. Talvez, por esse motivo, nem foi preciso mostrar bombas de ferimentos e bombas de entusiasmo. O pequeno Mauro era o movimento e a magnitude daquele ano que, para ele, foi de conquistas indestrutíveis: amigos, amores e carinhos. Bastavam e bastariam, se os desencontros não existissem sempre pela vida...

O filme terminou é só ficou a sensação de que é mesmo preciso mudar e recomeçar para nos darmos conta do quão importante foi o que passou. É preciso sempre carregar pedacinhos das pessoas que estiveram em nosso caminho. É preciso lembrar da infância para não deixar que os sentimentos e desejos ingênuos sejam perdidos. Foi isso também o que senti quando terminou a segunda sessão do dia. Na sala 4, da mesma Reserva Cultural, um carinho no coração que trariam lágrimas simultâneas de emoção e felicidade: Pequena Miss Sunshine.

Diferentemente do que o trailer nos levava a imaginar, a produção não é mais uma bobinha comédia norte-americana. Mais uma vez, o desejo de criança escancara as fraquezas e os medos do mundo dos adultos. Uma história que nos permite entrar em contato com tudo que deixamos de lado por conta de um (involuntário talvez) egoísmo. Crescemos e acreditamos na independência. Nos tornamos auto-suficientes. Aprendemos a fazer tudo sozinhos e, bobinhos, confiamos na certeza de que ninguém, além de nós mesmos, é mais importante no mundo. Besteira.

Hoje, depois de um dia sozinha, no meio de tanta gente, tive a certeza de que de nada adianta enfrentarmos o mundo sem que os outros existam. Neles estão a nossa motivação e explicação para estarmos por aqui. Pequena Miss Sunshine foi responsável por me trazer de volta aquela leveza que há um tempo tinha sumido do corpo e da mente. A pequenina Olive provou que estar juntinho e bem pertinho das pessoas que amamos é lindo. E só isso já explica o desejo constante por mais reencontros, e menos despedidas.

três possibilidades

Não sei bem quem inventou, como surgiu, quem disse para quem. Mas hoje ela me foi apresentada. Uma teoria - se é que pode mesmo ser chamada assim - que explica muitas e muitas coisas sobre os encontros e desencontros que existem pela vida.

Dizem que são três, não uma como alguns insistem. "Cada um tem três possibilidades de alma gêmea". Para ficar mais claro, ela fez questão de me explicar outra vez: é possível "passar a vida sem encontrar nenhuma delas". Mas, para os corações que andam em desalinho, a teoria também diz que "poder ser que encontremos 1, 2 ou as 3 mesmo". Se a sorte andar por aí, e as três aparecerem, escolheremos uma para viver juntinho, mas amaremos as outras para sempre. Ou ainda: "é possível amar todas e ficar sem nenhuma".

Se ela se comprova de fato, não posso afirmar. Daqui a um tempo, talvez eu volte para escrever sobre a segunda e/ou a terceira. Talvez não. É só uma explicação que alimenta a alma de coragem. Não era a resposta esperada para as perguntas que insistem em permanecer com pontos de interrogações. Mas é uma pontinha que carrega a certeza de que nenhum amor é mal vivido.