Eu teria que estar às 17h45 no consultório do Dr. Anderson, ali nas proximidades do metrô Santa Cruz. Sai de casa às 16h. Passei na lotérica para carregar o Bilhete Único. Fiquei no ponto de ônibus uns 10 minutos para pegar o primeiro ônibus. Peguei o segundo ônibus. Consegui sentar. Tinha um tantão de lugares vazios. No percurso, porém, todas as pessoas do mundo resolveram seguir o mesmo trajeto que eu. Lá pelas tantas, depois de milhares de bolsas baterem na minha cabeça, sou plateia para uma cena desnecessária:
O ônibus estava mais do que lotado. Muito muito muito cheio mesmo. É importante ressaltar. Ninguém conseguia se mexer. Eu estava sentada no primeiro banco, do lado cobrador, e da catraca, portanto. Um menino, de seus vinte poucos anos, magro, tinha acabado de passar seu bilhete único. Com muito esforço, o cobrador virou a catraca para ele. Uma ajuda importante. Atrás dele, um homem que foi alertado para esperar um pouco antes de encostar seu bilhete. Era evidente que não teria espaço para aquele senhor do lado de cá da catraca. Ele fingiu que ouviu, e foi lá com o seu "único" para debitar os R$ 2,30. Ele começou a empurrar o menino de vinte e poucos anos. "Senhor, não tenho como passar. Não me empurre". O homem respondeu: "Vai logo, senão perco o meu dinheiro". "Não me empurre, não tenho como passar". "Sai logo da minha frente, que não tô bom!". Foi assim, então, que uma discussão com direito a alguns tapas começou.
Foi impossível não lembrar do espetáculo que assisti ontem à noite no Teatro Jaraguá. Num ritmo de conversa com a plateia, Juca de Oliveira conduz o monólogo Happy Hour. Com direção de Jô Soares, Juca, sendo ele mesmo, fala sobre as coisas da vida, do cotidiano de São Paulo e de política. Mais de política. Várias passagens merecem destaque. Todas são como um tapa com luva de pelica. Mas hoje lembrei das que ele fala do trânsito, do excesso de pessoas no mundo e da falta de gentileza. Somos muitos mesmo. E assim sendo, a educação deveria fazer parte dos nossos rituais diários. Mas para os "muitos" é mais fácil bater boca, dar uns tapinhas aqui e acolá. Esperar as pessoas se acomodarem num ônibus lotado não passa pela cabeça do ser humano antes de ele encostar o seu bilhete na catraca. Ele prefere acreditar que tem razão. E o pior: sobra pra todo mundo. No meio da discussão, alguém soltou "isso só acontece no Brasil". É quase um "somos assim. Fazer o quê?".
Eu preferi descer do ônibus. Eram 17h30. Não estava nem na metade do meu trajeto. O excesso - de pessoas, carros e ruas congestionadas - não me deixaria chegar ao consultório do Dr. Anderson a tempo. Ele não poderia esperar, a secretária me falou pelo telefone. Desci e peguei o ônibus de volta para casa.
Ah, eu recomendo a peça de Juca de Oliveira. Ficará em cartaz até o dia 12 de junho, no Teatro Jaraguá, na rua Martins Fontes, 71.
27.4.09
23.4.09
do dia do livro
Que livro é você? Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Fiz o teste que está na capa do UOL e descobri:
"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade
"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz. "Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.
"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade
"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz. "Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.
do dia
Clima astral bom pra você dar a partida num projeto grande, de longo prazo, positivo e bom pra sua vida. Pense rápido e não deixe a chance escapulir! Criatividade e imaginação terão muito a ver com isso. Amores em alta - você está persuasivo, poderoso e encantador. Vitória numa prova.
Capricórnio, por Barbara Abramo
16.4.09
what are you doing?
Hoje me dei conta: (quase) todo mundo tem twitter! Confesso que até já pensei em abrir uma conta, mas me deu preguiça. Eu, sinceramente, não nasci pra isso. Vejam o blog: fica aqui, jogado ao relento. Tenho um perfil no facebook, mas não acesso com frequencia. E também não tenho muita paciência para tentar descobrir como mexo em todas as ferramentas possíveis...
Mas vim até aqui porque cheguei a uma conclusão: vocês, pessoas do orkut, facebook, blogspot, wordpress, zip.net, twitter são admiráveis. Acordam, trabalham muito, encontram os amigos, escovam os dentes, vão ao cinema, param para almoçar, caem na balada, tomam banho, leem jornal e ainda conseguem manter tudo atualizado. Como isso é possível?
Mas vim até aqui porque cheguei a uma conclusão: vocês, pessoas do orkut, facebook, blogspot, wordpress, zip.net, twitter são admiráveis. Acordam, trabalham muito, encontram os amigos, escovam os dentes, vão ao cinema, param para almoçar, caem na balada, tomam banho, leem jornal e ainda conseguem manter tudo atualizado. Como isso é possível?